VIVO A VERDADE

Vivo a verdade, numa angústia constante,
que a noite tarda e minh’alma aguarda ansiosa.
Dispo-me das mais profundas memórias.

Numa dádiva ingénua de emoções que respiro,
vou desvirginando as brancas madrugadas,
com sombras e luz que invadem os meus dedos,
qual pincel viciado, que derrama quando passa
seivas inquietantes e ávidas de sabedoria...

Vivo no presente com ternura, o ritual da nostalgia.
Viajo sem pressa os mundos ora ilusórios, ora reais,
E no êxtase das brancas madrugadas, vou esperando
com olhar sereno, alma e corpo rendido,
a humilde semente que fecundará o meu inconsciente.
Hoje, apenas entrego às nuances, à fragilidade da nudez,
sem pudor, despida de preconceitos, dóceis pinceladas
que emergem com amor, nas brancas madrugadas de papel...