BRANCAS MADRUGADAS DE PAPEL...

Há algum tempo que te namoro, e esta nossa cumplicidade tornou-se num caminho enigmático, pleno de luz, de descobertas, que me transporta espontaneamente para o teu mundo de emoções.
Há algum tempo que te namoro, e esta nossa cumplicidade tornou-se num caminho enigmático, pleno de luz, de descobertas, que me transporta espontaneamente para o teu mundo de emoções.

Descubro em cada entardecer a tua expressiva forma de ser, de estar presente, á qual me rendo sem lamentos. Divago nas horas, nas noites do tempo, espero nas brancas madrugadas como quem espera um filho, esse pedaço de vida que me dás e que respira nas minhas fecundas searas da vida.

Envolves-me no teu manto colorido e em toda a simbologia que impregno nos esboços que traço sem medo, nas seivas que derramo, gota a gota, nesse oceano de sentimentos. Vislumbro na neblina dessa efémera utopia a tua nudez, a verdade liberta de preconceitos, persistente, determinante, desafiando a razão numa atitude serena, sem regras e normas, sem imposições.

Se a luz que ilumina á noite o teu rosto e a escuridão do meu espaço, anunciando a tua presença, a luz da aurora vai desenhando a tua imensurável ausência e traz de volta a solidão do dia. Fica a saudade, a ansiedade de um novo entardecer...

Há algum tempo que te namoro, namoro-te ao portão do teu jardim e já sinto, cada vez mais, que preciso de saber quem és para me mostrares quem sou...amanhã, talvez, a coragem me seduza a entrar e a percorrer os quatro cantos do mundo, esse teu mundo erudito, onde o tempo não tem espaço...