FREAMUNDE 1995

Ando, sonho, respiro, não penso,
A noite está tão tranquila
que o tempo parece suspenso,
quieto nas varandas da vila.

Nas árvores adivinho aves
sossegadas, nos canteiros rosas
adormecidas. E sons suaves
sobem de casas misteriosas.

No largo, gente que se entretém,
sob os altos plátanos doirados,
ouve a calma música que vem
de tantos agostos passados

à sombra do coreto de pedra
onde afinal não toca ninguém.
No verde da relva ou da erva,
sei lá, que o largo no centro tem

meninos brincam à apanhada
como num secreto jardim.
E à memória maravilhada
regressam-me outras noites assim:
o meu pai ensinando-me o céu,

todos os astros nele a brilhar,
e a festa de descobrir Cefeu
à direita da Estrela Polar.
Eu era apenas um menino
que ao pé de seu pai se sentava,
sob o céu, feliz e pequenino,
até que a manhã despontava.

Na plácida noite de Agosto
- o ar morno, a ligeira brisa,
o cheiro bom e justo - , desliza
uma lágrima no meu rosto.